terça-feira, 30 de setembro de 2008

UM FENÔMENO CHAMADO LULA


Boa noite,

Essa semana, dia 29/09/08 o IBOPE divulgou a sua mais recente pesquisa encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) para avaliar o Governo Lula. Resultado: a avaliação tanto do governo quanto de sua imagem pessoal continuam crescendo de forma impressionante, podemos até dizer fenomenal. Nos números de setembro o governo Lula teve 69% de aprovação, índice até então não alcançado por nenhum presidente após a redemocratização brasileira. A avaliação pessoal do presidente vai mais além, 8 em cada 10 brasileiros aprovam a conduta de Luís Inácio, ou seja, 80% da população. Com um índice tão alto, isso nos mostra que todas as classes sociais aprovam o governo, desde os mais pobres, beneficiados pelo Bolsa Família o qual muitos consideram como programa populista, mas o qual a ONU premia como o melhor programa de transferência de renda do mundo assim como boa parte (mais de 50%) dos brasileiros das classes A e B. Essa grande aprovação do governo por parte da classe alta da sociedade se deve principalmente aos avanços e ao bom momento com que passa a economia brasileira.


Duarante o Governo Lula várias conquistas foram alcançadas, como a grande reserva de dólares que chega a US$ 200 bi, capaz de pagar toda a dívida externa do País o que permitiu que o Brasil pela primeira vez na história deixasse de ser devedor e passasse a ser credor no cenário internacional. Como exemplos podemos citar também a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) que se tornou uma das mais fortes do mundo ao conquistar o "Investment Grade" ou "Grau de Investimento". No ano de 2007 a economia cresceu 6%, o setor exportador está mais forte que nunca, assim como a indústria que chega a expandir quase 10% a.a. Esses são somente alguns exemplos bons dentre muitos outros que podemos citar na economia e vale lembrar que foi na gestão de Lula que a Petrobrás (após muitos anos de investimentos e pesquisas, obviamente) encontrou no litoral brasileiro reservas de petróleo que permitirá ao Brasil em poucos anos ser um dos maiores produtores do produto no mundo.


Sendo assim, Luiz Inácio Lula da Silva está com a "bola toda" mesmo, seja para a alegria da equipe de governo e para um futuro sucessor ou sucessora, seja para a tristeza da oposição que sub-julgava um trabalhador, chamado de forma pejorativa por muitos de "semi-analfabeto" um dos presidentes mais bem avaliados de todos os tempos. Um trabalhador que em seu governo conseguiu fazer muito mais que letrados e intelectuais não fizeram. Torço muito para que o Governo Lula continue com êxito e que o próximo presidente a partir de 2011, independente de que partido seja dê continuidade e aperfeiçõe esse projeto que levará o Brasil à futuros promissores.
Gregório Luiz Anaconi

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

E CONTINUA CAINDO...

Boa noite,

Minha intenção era realmente não falar mais sobre assunto, pelo menos não tão já e de forma triste. Mas depois das notícias que tivemos hoje preciso falar novamente sobre a "crise americana" que está cada dia mais próxima de nós.
Hoje dia 29/09/08 o índice Bovespa, principal indicador da Bolsa de Valores de São Paulo despencou 9,36% após o Congresso americano rejeitar o pacote de medidas que previa a injeção de US$ 700 bilhões na economia daquele País. Depois do desastre econômico provocado pela incompetência do Governo Bush, a aprovação desse pacote é primordial para evitar o esfarelamento da economia não só daquele País como do mundo todo, mas isso é uma prova que diferentemente do que acontece no Brasil, os Estados Unidos têm uma forte resistência para transferir dinheiro público ao setor privado. Uma prova disso é o Congresso não ter aprovado o pacote econômico hoje, pode até aprová-lo nos próximos dias, mas pelo menos já deram uma lição no presidente Bush. No Brasil, no ano de 1996 foi criado o PROER um plano de salvação elaborado pelo Governo Federal para salvar os bancos em crise e foi muito fácil aprová-lo no Congresso. Quem será mais capitalista, nós ou eles?

Voltando ao presente, no pé em que está a situação torço muito para que o pacote seja sim aprovado e mais uma vez espero que essa crise seja o mais breve possível não provocando sérias complicações na economia brasileira. Pois quando eles (os imperialistas) criam regras para as economias emergentes, nós a cumprimos sob a pena de represálias. Enquanto isso eles não cumprem regra alguma, fazem os que querem da própria economia e quando quebram a pena vai para todos, inclusive para os pobres que mais uma vez pagam o pato. Sinceramente, torço para que essa crise se restrinja à eles e cada um com seus problemas.

Gregório Luiz Anaconi

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

O IMPÉRIO BALANÇADO. SERÁ QUE CAI? REFLEXÕES SOBRE A CRISE DOS EUA.


Para quem freqüenta bancas de revistas e jornais pode ter notado que essa semana a capa de todas as principais revistas de informações e a primeira página dos maiores jornais tanto do Brasil quanto do mundo tratou de basicamente um assunto: o colapso no sistema financeiro da maior potência do planeta. O dia 15 de setembro de 2008 foi considerado nada menos do que o pior dia para os negócios em Wall Street (centro financeiro mundial) desde a a crise de 1929.

Quem nesse dia acompanhou canais de notícias econômicas como CNN, Bloomberg ou Globo News via que os gráficos e as setas eram todos vermelhos, as bolsas de valores do mundo todo amargavam perdas bilionárias. Tudo isso porquê a maior potência economica do mundo, os Estados Unidos entram em uma série crise financeira, batizado como "crise das hipotecas". De forma bastante superficial o que ocorreu foi o seguinte: Entre os anos de 2003 e 2006 a economia americana vivia um momento de recuperação, de estímulo ao consumo e juros baixos. Com esses juros baixos, muitos bancos passaram a financiar a casa própria dos americanos, com parcelas que levarão dezenas de anos para serem pagas, chamadas então de "subprime" ou de alto risco, ficando essas à título de hipotecas. Esses bancos também fizeram muitos financiamentos, principalmente de outros bancos (os chamados bancos de investimentos) para poderem dar continuidade ao processo de financiar mais casas à longo prazo e isso se tornou uma febre, milhões de americanos então conquistaram o sonho da casa própria. No final de 2006 uma triste surpresa, a inflação oficial dos Estados Unidos ficou bem acima do esperado, sendo assim, o Fed (Federal Reserve ou Banco Central dos Estados Unidos) foi obrigado à elevar os juros. Com juros altos, muitos americanos passaram a não ter dinheiro para pagar as parcelas de suas casas próprias e começou a onda de calotes, além disso, com juros altos diminuiu a procura por esse tipo de financiamento e o valor dos imóveis despencaram. Sendo assim, mesmo que recebam esses imóveis à título de hipotecas, os bancos ainda ficarão no prejuízo. Como tudo no capitalismo é um ciclo, seja para o bem ou para o mal aqueles bancos de financiamento que emprestaram dinheiro também foram caloteados pelos que receberam dinheiro. Resultado, prejuízo e falência de grandes instituições financeiras americanas, como o tradicional banco de investimentos Lehman Brothers que resistiu até à crise de 29, mas ouviu um ecoante "não" para o seu pedido de ajuda ao governo americano e decretou falência no dia 15 de setembro de 2008. A AIG outra gigante do mercado financeiro dos EUA só se salvou porque essa sim conseguiu o disputado crédito fornecido pelo Governo.

Mas a crise de crédito e hipotecária já se arrasta há pelo menos dois anos e a incompetência do Governo Bush permitiu que ela chegasse nesse estágio, não tomando medidas sérias no início. O sistema capitalista tem muitas falhas e quando elas aparecem, todos pagam por isso. Esses mesmos bancos que hoje estão à beira da falência há alguns anos lucrou bilhões com especulações que não gerou nenhum tipo de riqueza coletiva ou empregos. O Governo capitalista de George Bush, assim como grandes instituições financeiras de caráter supra-nacionais (FMI, BIRD, Banco Mundial) sempre abominaram intervenção estatal na econômia. Ou seja, o próprio mercado se auto-regula e consegue sair de suas crises sozinhos. Será? A prova de que isso não existe é que o Presidente Bush está quase implorando para que o Congresso dos EUA aprove a liberação de US$ 700 bilhões para salvar insituições à beira do colapso e evitar um estrago ainda maior. Dinheiro esse, do contribuinte que paga seus impostos, dinheiro que poderia ser utilizado em outros fins, como educação e saúde, mas o Governo dos EUA prefere (por conta de sua incompetência) salvar os grandes banqueiros.

Se a grande águia americana irá virar uma pombinha eu não sei e torço sinceramente para que isso não aconteça, pelo menos não dessa forma. Mas o importante é que essa crise não atinja o Brasil, principalmente agora que estamos caminhando para um futuro mais próspero. Estamos precavidos sim, mais resistentes do que há 10 anos, mas uma catástrofe econômica no centro mundial dos negócios não permite que ninguém saia ileso. O presidente Lula ao abrir os discursos na Assembléia Geral das Nações Unidas disse que " privatizar os lucros e socializar as perdas é injusto" o que eu concordo plenamente, enquanto estão ganhando, somente eles (os bancos) ganham, quando perdem, todos pagam. E torço sinceramente para que quando a imprensa questionar ao Lula: "E a crise?", ele continue respondendo: "Que crise? Pergunte ao Bush!".
Gregório Luiz Anaconi

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

PETRÓLEO QUE SE TRANSFORMA EM EDUCAÇÃO


Em meados do ano de 2007, a Petrobrás anunciou que havia descoberto na Bacia de Santos (litoral paulista) uma megareserva de petróleo, capaz de colocar o País entre os dez maiores produtores da "commoditie" mais cobiçada do mundo. Todo esse óleo está localizado no que a estatal batizou de "Campo Tupi" em uma profundidade que pode chegar a 4.000 metros, numa camada do subsolo chamada pré - sal, ou seja, nenhuma petrolífera do mundo tem tecnologia suficiente até os dias atuais para extrair óleo de maneira comercial em tamanha profundidade, mas o animador é que a Petrobrás só conseguiu encontrar essa enorme quantidade de óleo por ser justamente líder mundial de extração de petróleo em águas profundas, assim sendo, com tecnologia basicamente brasileira. Além do Campo de Tupi, dois outros mega-campos foram localizados na mesma região no início do ano de 2008, inclusive o Campo de Júpiter que de acordo com estudos feitos pela Petrobrás e pelo Governo pode ter a mesma quantidade de petróleo que o Campo de Tupi.
Pois bem, como vimos, o Brasil no último ano teve uma chuva de boas notícias o que fez até o governo brasileiro ser apelidado no exterior de "novo sheik do petróleo" o que não deixa de ser verdade, já que nem o próprio Ministério das Minas e Energia sabe ao certo a quantidade de oléo de boa qualidade existente nessa região e que pode ser bem maior do que a já encontrada. Além disso, em no máximo 6 anos, o País já terá tecnologia suficiente para explorar o óleo do "pré-sal". Mas o objetivo desse post é sobre a utilização da "enxurrada" de dinheiro que´o País terá após isso. Será muito dinheiro mesmo e não podemos deixar o Brasil perder mais essa oportunidade.
Nos últimos 10 anos a economia brasileira parece estar "entrando nos trilhos", está mais sólida, todos os indicadores econômicos e sociais dos últimos 5 anos são muito positivos. A economia cresce, o desemprego é o menor de muito anos, se continuarmos nesse ritmo poderemos sim nos tornarmos um País desenvolvido dentro de poucas décadas. Mas será que um País sem educação e sem mão-de-obra qualificada conseguirá manter seu crescimento e se tornar uma Nação plenamente desenvolvida? A resposta obviamente é não. Alguns outros países, com economias até menos dinâmicas que o Brasil descobriram isso já há algum tempo e deram um passo à frente. A Espanha a partir da década de 60 passou a investir pesadamente em educação e se desenvolveu, com o Japão aconteceu o mesmo. A Coréia do Sul era um país com indicadores sociais muito piores que os brasileiros até a década de 70, quando o País passou a fazer a revolução através da educação e hoje é um dos maiores IDHs (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo. No Brasil, sempre ficamos aquém disso. Governos e governos que se passaram, sempre deixaram a educação em segundo plano, principalmente para a massa da população, dando o direito à educação de qualidade somente para a pequena população mais rica da sociedade brasileira. Um dos motivos? Sociedade bem educada pensa. E quem pensa sabe votar, não tem voto de cabresto, não vende seu voto, questiona, cobra. Tudo que a oligarquia que sempre governou o Brasil menos quis.
Atualmente o Governo Federal através do Ministério da Educação lançou uma proposta, nada menos do que interessante. Utilizar parte desses bilhões de dólares que serão injetados na economia nacional quando o petróleo do "pré-sal" passar a ser explorado e investir de forma maciça no sistema educacional brasileiro. Seriam investimentos da ordem de 7% do PIB em todos os níveis da educação, desde infantil até o superior, o que de acordos com dados do próprio Ministério e da ONU em 2021 o Brasil teria educação com a mesma qualidade dos Estados Unidos e da Espanha, por exemplo. Nada mais justo, o petróleo encontrado na Bacia de Santos deve sim ser socializado, não pode se concentrar nas mãos de meia dúzia de pessoas que sempre ficaram com toda a renda nesse País ou então ir parar nos cofres abarrotados de empresas dos EUA, Europa e Japão. A melhor maneira para que esse dinheiro seja socializado é na educação. Nada mais sábio que essa proposta, pois é uma medida onde todos saem ganhando. Passaremos a ter uma Nação bem educada, com mão-de-obra qualificada, com consciência política, um caminho certo para que em pouco mais de 20 anos sejamos uma das maiores economias do mundo. Além de sermos o "celeiro" do planeta, o maior produtor mundial de alimentos, seremos também o maior produtor energértico (quando juntamos petróleo + etanol) e se essa proposta for levada a sério, seja pelo Governo atual, pelos próximos governos e pela sociedade, teremos um dos melhores sistemas educacionais do mundo. O investimento tem que ser grande para suprir centenas de anos perdidos, mas a sociedade precisa cobrar seus direitos, direito a se beneficiar com o dinheiro do petróleo, direito de que esse bem tão valioso seja de todos e não mais uma vez somente de alguns.
Gregório Luiz Anaconi