Para quem freqüenta bancas de revistas e jornais pode ter notado que essa semana a capa de todas as principais revistas de informações e a primeira página dos maiores jornais tanto do Brasil quanto do mundo tratou de basicamente um assunto: o colapso no sistema financeiro da maior potência do planeta. O dia 15 de setembro de 2008 foi considerado nada menos do que o pior dia para os negócios em Wall Street (centro financeiro mundial) desde a a crise de 1929.
Quem nesse dia acompanhou canais de notícias econômicas como CNN, Bloomberg ou Globo News via que os gráficos e as setas eram todos vermelhos, as bolsas de valores do mundo todo amargavam perdas bilionárias. Tudo isso porquê a maior potência economica do mundo, os Estados Unidos entram em uma série crise financeira, batizado como "crise das hipotecas". De forma bastante superficial o que ocorreu foi o seguinte: Entre os anos de 2003 e 2006 a economia americana vivia um momento de recuperação, de estímulo ao consumo e juros baixos. Com esses juros baixos, muitos bancos passaram a financiar a casa própria dos americanos, com parcelas que levarão dezenas de anos para serem pagas, chamadas então de "subprime" ou de alto risco, ficando essas à título de hipotecas. Esses bancos também fizeram muitos financiamentos, principalmente de outros bancos (os chamados bancos de investimentos) para poderem dar continuidade ao processo de financiar mais casas à longo prazo e isso se tornou uma febre, milhões de americanos então conquistaram o sonho da casa própria. No final de 2006 uma triste surpresa, a inflação oficial dos Estados Unidos ficou bem acima do esperado, sendo assim, o Fed (Federal Reserve ou Banco Central dos Estados Unidos) foi obrigado à elevar os juros. Com juros altos, muitos americanos passaram a não ter dinheiro para pagar as parcelas de suas casas próprias e começou a onda de calotes, além disso, com juros altos diminuiu a procura por esse tipo de financiamento e o valor dos imóveis despencaram. Sendo assim, mesmo que recebam esses imóveis à título de hipotecas, os bancos ainda ficarão no prejuízo. Como tudo no capitalismo é um ciclo, seja para o bem ou para o mal aqueles bancos de financiamento que emprestaram dinheiro também foram caloteados pelos que receberam dinheiro. Resultado, prejuízo e falência de grandes instituições financeiras americanas, como o tradicional banco de investimentos Lehman Brothers que resistiu até à crise de 29, mas ouviu um ecoante "não" para o seu pedido de ajuda ao governo americano e decretou falência no dia 15 de setembro de 2008. A AIG outra gigante do mercado financeiro dos EUA só se salvou porque essa sim conseguiu o disputado crédito fornecido pelo Governo.
Mas a crise de crédito e hipotecária já se arrasta há pelo menos dois anos e a incompetência do Governo Bush permitiu que ela chegasse nesse estágio, não tomando medidas sérias no início. O sistema capitalista tem muitas falhas e quando elas aparecem, todos pagam por isso. Esses mesmos bancos que hoje estão à beira da falência há alguns anos lucrou bilhões com especulações que não gerou nenhum tipo de riqueza coletiva ou empregos. O Governo capitalista de George Bush, assim como grandes instituições financeiras de caráter supra-nacionais (FMI, BIRD, Banco Mundial) sempre abominaram intervenção estatal na econômia. Ou seja, o próprio mercado se auto-regula e consegue sair de suas crises sozinhos. Será? A prova de que isso não existe é que o Presidente Bush está quase implorando para que o Congresso dos EUA aprove a liberação de US$ 700 bilhões para salvar insituições à beira do colapso e evitar um estrago ainda maior. Dinheiro esse, do contribuinte que paga seus impostos, dinheiro que poderia ser utilizado em outros fins, como educação e saúde, mas o Governo dos EUA prefere (por conta de sua incompetência) salvar os grandes banqueiros.
Se a grande águia americana irá virar uma pombinha eu não sei e torço sinceramente para que isso não aconteça, pelo menos não dessa forma. Mas o importante é que essa crise não atinja o Brasil, principalmente agora que estamos caminhando para um futuro mais próspero. Estamos precavidos sim, mais resistentes do que há 10 anos, mas uma catástrofe econômica no centro mundial dos negócios não permite que ninguém saia ileso. O presidente Lula ao abrir os discursos na Assembléia Geral das Nações Unidas disse que " privatizar os lucros e socializar as perdas é injusto" o que eu concordo plenamente, enquanto estão ganhando, somente eles (os bancos) ganham, quando perdem, todos pagam. E torço sinceramente para que quando a imprensa questionar ao Lula: "E a crise?", ele continue respondendo: "Que crise? Pergunte ao Bush!".
Gregório Luiz Anaconi

1 comentários:
Adorei o teu post! Muito bem escrito! E falo novamente por aqui ... Tadinho do Obama ou McCain! Arrumar essa bagunça norte-americana, não vai ser fácil! ... Beijão ... Parabéns!!!
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